12 de jun de 2009

SÉRIE STRESS 3 (A barreira encefálica)

O cérebro é o senhor. O cérebro tem que ser o grande protegido. É ele que vai comandar todas as manobras. Desde um estressor que exija uma pequena adaptação, até aquele que necessitará uma grande resposta. É ele ainda que graduará o nível da resposta, a medida que se fizer necessário. Seja quando lidando no nível de Distresse ou de Eutresse. Todos os eventos serão acompanhados de um processo para a proteção do sistema nervoso chamado Barreira Encefálica. Os eventos físicos e químicos tem a função de proteger o sistema nervoso central e preparar o corpo para a ação.
Em relação aos eventos químicos, existem muitos artigos escritos, pois há muito interesse no assunto quando se tenta produzir remédios que ultrapassem a Barreira Encefálica. Já em relação aos eventos físicos, há bem menos estudos e artigos escritos. O que é preciso ficar claro é que o processo é químico e físico ao mesmo tempo.
No nível químico, quando um evento novo acontece, trazendo a necessidade de que você entre em ação, a primeira modificação será a entrada de hormônios no sangue para acionar os depósitos de energia, a gordura do corpo. O principal hormônio é a adrenalina, por isso às vezes quando nos zangamos dizemos: "me subia a adrenalina..." Ao mesmo tempo, o hormônio que permite a glicose (açúcar) entrar na célula para ser utilizada, a insulina, será bloqueada. Isto porque o único combustível que o cérebro utiliza é a glicose, e... Como a prioridade é sempre o cérebro, toda a glicose que está no sangue passa a ser deixada somente para ele.
Os eventos físicos, além de providenciarem as condições para a ação, fazem mais dois papeis:
• o da barreira encefálica
• e também participam da gradação das adaptações - resposta corpo / cérebro (incluindo respostas químicas). Estes processos se iniciam nas áreas de pescoço/cabeça e ATM - Articulação Temporo Mandibular. (fazendo o movimento de abrir e fechar a boca, e colocando a mão pouco abaixo do ouvido, poderá sentir a "dobradiça" que faz este movimento. Esta articulação é chamada de "Temporo Mandibular", porque a mandíbula se articula com o com o osso temporal)
Repetindo as palavras do Prof. Clóvis Horta, presidente do IBBM - Instituto Brasileiro do Balanceamento Muscular, a cabeça está sustentada em cima do pescoço, como uma bola em cima de um pino. É este apoio que nos permite a grande mobilidade de cabeça e pescoço. Porém, fora das condições normais, essa estrutura fica frágil. Assim, em situação de tensão, a prioridade é - segurar a cabeça em cima do pescoço. Para isso os músculos da frente do pescoço se estiram, aumentando de tamanho, e ficam com menos tônus (tensão do músculo); ao mesmo tempo em que os músculos de trás do pescoço se contraem, diminuindo de tamanho. Estes músculos estão presos na cabeça e na parte superior das costas.
Um tecido forte e elástico recobre o cérebro e a medula, e está firmemente preso ao osso esfenóide; em alguns pontos do crânio; nas primeiras cervicais, C1, C2 e C3; ao sacro, na altura de S2 e por ultimo ao cóccix. Este tecido é chamado DURA-MÁTER.
A articulação entre os ossos do crânio é em forma de serrilhados que se encaixam, dando firmeza a estrutura e facilitando a mobilidade entre os ossos. Quando o corpo entra no Reflexo de Defesa, esses movimentos ficam limitados. Chamamos a este evento de CONSTRIÇAO CRANIAL. Algumas vezes estamos a tanto tempo sob pressão que pode mesmo começar a haver uma calcificação destas suturas.
Portanto, pela contração dos músculos (da ATM, do pescoço, pélvis, cóccix) e dura-máter, e mais a constrição cranial, o fluxo do Líqüor, a circulação sanguínea, e conseqüentemente oxigenação, também estarão afetadas.

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