8 de set de 2009

Vc tem consciência dos seus movimentos?

De acordo com Benjamin Libet (1983), o registro das ondas elétricas do cérebro mostra que a vontade de mover um dedo só se torna consciente até um segundo depois de o cérebro começar a tomar as providências para o movimento. Primeiro a ordem é lançada; depois você pensa em se mover. Se o comando para o movimento é lançado bem antes, o 'desejo' do movimento talvez seja a simples constatação pelo cérebro de que algo será feito.A vontade bate uns dois décimos de segundo antes de o dedo mexer. Primeiro dá vontade; depois você mexe o dedo. Mas, as regiões de planejamento motor do cérebro entram em atividade MUITO ANTES de "bater a vontade" de mexer um dedo -- outros dois ou três décimos de segundo mais cedo do que a "vontade". A implicação é que o cérebro não "sente vontade" de mexer um dedo, depois ativa o programa adequado, depois mexe o dedo. Ao contrário: ele primeiro ativa o programa adequado; dois ou três décimos de segundo mais tarde aquilo de alguma forma se transforma em "vontade"; e só outros tantos depois o dedo mexe, mesmo.
Vários laboratórios já comprovaram que a ordem para a execução voluntária de um movimento é dada no cérebro até mais de meio segundo antes de ser executada. E, como demonstrou Libet, ela pode ser detectada eletronicamente ao menos dois décimos de segundo ANTES que a própria pessoa tenha sequer consciência de que a ordem foi dada.

A experiência de LIBET:
Num dos experimentos mais simples e elegantes da história da neurociência, Libet pediu a seis voluntários que prestassem atenção à trajetória de um pontinho andando rapidamente em círculos numa tela, como se fosse o ponteiro de um relógio, enquanto um eletroencefalograma registrava a atividade elétrica sobre a região do cérebro que dá comandos de movimento aos músculos. A tarefa dos voluntários era moleza: eles deviam ficar lá prestando atenção ao pontinho e, se por acaso sentissem uma vontade súbita de mover um dedo, notar em que posição estava o pontinho no momento em que a vontade bateu. Pela posição do pontinho, Libet podia estimar o tempo decorrido entre a vontade e o movimento.

Uma curiosidade:
A leitura de intenções é uma realidade. Ao menos no cérebro de ratos e macacos, como demonstrou o brasileiro Miguel Nicolelis e sua equipe na Universidade Duke, nos EUA. Nesses bichos, os comandos para movimentar as mãos já podem ser detectados por eletrodos implantados na região motora do cérebro, e transmitidos a um equipamento que identifica a ordem a ser dada aos músculos e intervém, acionando por sua vez uma máquina que executa o movimento correspondente antes mesmo que o animal consiga contrair seus músculos.

Até que algo surpreendente ocasionalmente acontece. Provavelmente ao notarem que a máquina dará conta do recado, os ratos aprendem a abortar a execução do comando. O cérebro dá a ordem, sim, que é detectada pelos eletrodos e executada pela máquina. Mas não necessariamente pelo animal -- que descobre que pode ficar preguiçosamente aguardando a chegada do braço mecânico que traz água à sua boca, sem mover um dedo. A ordem é dada. Só que o rato não faz nada.

Libet explica. Está certo que a ordem para o movimento é dada pelas regiões motoras do cérebro muito antes de se transformar, de alguma forma, em vontade de movimento, na sensação de "desejar" um movimento. Mesmo a ordem já "desejada conscientemente" ainda pode ser abortada.Nas pesquisas de Libet,seus voluntários conseguiam resistir à vontade de mover um dedo.


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